Lúpus cutâneo: pele, cabelo e sol

Sobre

Lúpus cutâneo é o lúpus que se manifesta na pele. Causa manchas avermelhadas, placas com descamação e, em alguns casos, cicatrizes e queda de cabelo. Pode existir sozinho ou junto com o lúpus sistêmico. Esta página foi escrita pela dermatologista Dra. Thais Akemi Yoshimoto, que atende em Moema, São Paulo.

Pontos principais

  • Existem três formas principais: aguda, subaguda e crônica (discoide).
  • O sol piora as lesões. Fotoproteção faz parte do tratamento.
  • O lúpus discoide no couro cabeludo pode causar queda de cabelo permanente se não for tratado cedo.
  • Cigarro piora a doença e reduz a resposta à hidroxicloroquina.
  • Parte dos pacientes desenvolve lúpus sistêmico. O acompanhamento inclui avaliação reumatológica.

Como o lúpus aparece na pele

Lúpus cutâneo agudo

Vermelhidão nas bochechas e no nariz, em formato de asa de borboleta. Costuma acompanhar o lúpus sistêmico ativo. Não deixa cicatriz.

Lúpus cutâneo subagudo

Placas avermelhadas em forma de anel ou com descamação fina, em áreas expostas ao sol: colo, ombros, braços e costas. É muito sensível à luz. Pode ser desencadeado por medicamentos, como hidroclorotiazida, terbinafina e inibidores de bomba de prótons.

Lúpus discoide

Placas arredondadas, com descamação presa à pele, que deixam áreas afinadas, claras ou escuras ao cicatrizar. Aparece no rosto, nas orelhas e no couro cabeludo. No couro cabeludo, destrói o folículo e a falha de cabelo fica permanente. A investigação de queda de cabelo está em tricologia.

Diagnóstico

O diagnóstico começa pelo exame da pele, com atenção a couro cabeludo, orelhas, boca e unhas. A biópsia confirma o tipo de lesão na maioria dos casos. A atividade e o dano na pele podem ser medidos pelo CLASI, um escore que acompanha a resposta ao tratamento.

Exames de sangue ajudam a investigar lúpus sistêmico associado: FAN, anticorpos como anti-Ro, hemograma, função dos rins e exame de urina.

Tratamento

  • Fotoproteção: protetor solar de amplo espectro e alta proteção, reaplicado ao longo do dia, roupas com proteção UV e chapéu. Luz ultravioleta ativa as lesões.
  • Parar de fumar: melhora a resposta ao tratamento.
  • Tratamento tópico: corticoides e inibidores de calcineurina (tacrolimo, pimecrolimo). Lesões discoides resistentes podem receber infiltração.
  • Hidroxicloroquina: tratamento oral de base, com acompanhamento oftalmológico periódico.
  • Casos resistentes: metotrexato, micofenolato e outras opções, decididas em conjunto com a reumatologia quando há doença sistêmica.
  • Remédio desencadeante: no lúpus induzido por medicamento, a suspensão do remédio costuma levar à melhora.

Cicatrizes e estética

Manchas e cicatrizes do lúpus discoide podem ser tratadas depois que a doença está controlada. Procedimentos sobre lesões ativas podem piorar o quadro. A indicação é individual e sempre considera a atividade da doença.

Quando o lúpus não fica só na pele

Todo paciente com lúpus cutâneo deve ser avaliado para lúpus sistêmico, no diagnóstico e ao longo do seguimento. Sinais de alerta:

  • Dor ou inchaço nas articulações.
  • Feridas na boca ou no nariz.
  • Febre, cansaço intenso ou perda de peso sem explicação.
  • Inchaço nas pernas ou urina com espuma.
  • Dedos que mudam de cor no frio.

Nesses casos, o acompanhamento é feito em conjunto com o reumatologista Dr. Henrique Dalmolin, que atende no mesmo consultório. A página lúpus cutâneo e lúpus sistêmico detalha os sinais de progressão, os exames e o tratamento do lúpus sistêmico. Quando há acometimento dos rins, veja nefrite lúpica.

Atendimento em Moema, São Paulo

A Dra. Thais Akemi Yoshimoto atende na Avenida Ibirapuera, 2064, sala 71, Moema, São Paulo. No mesmo endereço atende o reumatologista Dr. Henrique Dalmolin. O paciente com lúpus na pele pode ser avaliado pelas duas especialidades sem trocar de consultório.

Agendamento pelo WhatsApp (11) 91361-8190. Veja também a página de psoríase e as outras condições de dermatologia clínica.

Perguntas frequentes

Lúpus cutâneo é contagioso?

Não. É uma doença autoimune. Não passa de uma pessoa para outra.

Como é feito o diagnóstico do lúpus cutâneo?

Pelo exame da pele e, na maioria dos casos, por biópsia. Exames de sangue ajudam a investigar se há lúpus sistêmico associado.

Lúpus na pele deixa cicatriz?

O lúpus discoide pode deixar cicatriz, manchas e queda de cabelo permanente quando não é tratado a tempo. As formas aguda e subaguda costumam melhorar sem cicatriz.

Qual protetor solar usar com lúpus?

Protetor de amplo espectro, com proteção alta, aplicado em quantidade adequada e reaplicado ao longo do dia. Roupas com proteção UV, chapéu e evitar o sol do meio do dia completam a proteção.

Lúpus cutâneo pode virar lúpus sistêmico?

Pode. Uma revisão sistemática encontrou progressão entre 0% e 42% dos adultos, conforme o estudo. Por isso o acompanhamento inclui avaliação periódica com reumatologista.

Posso fazer procedimentos estéticos tendo lúpus cutâneo?

Depende da atividade da doença e do procedimento. Lesões ativas não devem ser tratadas com procedimentos. Com a doença controlada, a indicação é avaliada caso a caso.

Referências

  • Curtiss P, Walker AM, Chong BF. A systematic review of the progression of cutaneous lupus to systemic lupus erythematosus. Front Immunol. 2022;13:866319. doi:10.3389/fimmu.2022.866319
  • Fanouriakis A, et al. EULAR recommendations for the management of systemic lupus erythematosus: 2023 update. Ann Rheum Dis. 2024;83(1):15-29. doi:10.1136/ard-2023-224762

Texto: Dra. Thais Akemi Yoshimoto, dermatologista, CRM-SP 184.637, RQE 97177. Especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia. Última revisão: setembro de 2026. Conteúdo informativo, não substitui consulta.

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