A alopecia areata é uma doença autoimune que faz cair cabelos ou pelos, em geral formando áreas arredondadas e bem delimitadas sem fios. Pode atingir o couro cabeludo, a barba, as sobrancelhas, os cílios e outras regiões do corpo. O diagnóstico e o tratamento são feitos pelo dermatologista.
Em Moema, São Paulo, a Dra. Thais Akemi Yoshimoto, médica dermatologista, realiza a avaliação de pacientes com diferentes formas de queda de cabelo, incluindo a alopecia areata. A consulta inclui o exame do couro cabeludo e a tricoscopia.
Na alopecia areata, células do sistema imune passam a reconhecer o folículo piloso como alvo. Forma-se um infiltrado inflamatório ao redor da raiz do fio na fase de crescimento, o que interrompe a produção do cabelo e faz o fio cair.
O folículo não é destruído. Ele fica inativo enquanto a inflamação persiste, e por isso o cabelo pode voltar a crescer. Na grande maioria dos casos é uma alopecia não cicatricial, diferente das alopecias cicatriciais, em que o folículo é substituído por cicatriz.
A doença tem predisposição genética e participação de vários fatores. O risco de ter alopecia areata ao longo da vida é de cerca de 2%. Pode começar em qualquer idade, mas costuma aparecer antes dos 40 anos, em homens e mulheres. A evolução varia muito de uma pessoa para outra.
A apresentação mais comum é uma ou mais falhas redondas ou ovais, que surgem de forma rápida. A pele dessas áreas costuma ter aspecto normal, sem descamação ou cicatriz. Muitas vezes a falha é notada por outra pessoa ou pelo cabeleireiro.
Existem formas menos comuns. No padrão ofiásico, a perda acompanha a nuca e as laterais da cabeça, em faixa. Às vezes a queda é difusa, sem falhas definidas, o que pode ser confundido com outras causas. Uma minoria de pacientes, cerca de 7%, evolui para perda de todo o cabelo do couro cabeludo (alopecia areata total) ou de todos os pelos do corpo (alopecia areata universal).
Sim. A alopecia areata é uma doença autoimune. O folículo em fase de crescimento normalmente tem uma proteção que o deixa menos visível ao sistema imune. Na alopecia areata essa proteção se perde, e linfócitos T passam a atacar o bulbo do folículo. Mediadores inflamatórios, como o interferon gama e a interleucina 15, mantêm esse ataque ativo. Os inibidores de JAK, usados nas formas graves, agem bloqueando essas vias.
Pessoas com alopecia areata têm, em média, maior frequência de algumas condições, como doenças da tireoide, vitiligo, dermatite atópica e outras doenças autoimunes. Isso não significa que todo paciente tenha outra doença. A investigação é feita quando a história ou o exame sugerem. Veja também: doenças autoimunes e imunomediadas da pele.
Não. A alopecia areata não é contagiosa. Não é causada por fungos, bactérias ou falta de higiene e não passa de uma pessoa para outra.
O estresse não é a causa da alopecia areata. A doença tem mecanismo autoimune e depende de predisposição genética e de outros fatores. Alguns pacientes relatam um período de estresse antes do início ou de uma recaída, e ele pode atuar como um dos possíveis desencadeantes. Muitas pessoas, porém, desenvolvem a doença sem nenhum evento estressante identificável.
A alopecia areata não é culpa do paciente. Cuidar do estresse faz bem por si só, mas não substitui o tratamento.
Na maioria dos casos, o diagnóstico é clínico. A avaliação inclui:
Na maioria dos casos típicos, não. O exame clínico e a tricoscopia são suficientes. A biópsia do couro cabeludo fica para apresentações atípicas ou quando há dúvida com outras doenças, como as alopecias cicatriciais.
Nem sempre. Os exames de sangue não são necessários para fazer o diagnóstico, e não existe um painel padrão para todos os pacientes. A investigação é individualizada conforme a história, o exame, a extensão da doença, os sintomas, a idade e a suspeita de condições associadas. Avaliação da tireoide, hemograma ou dosagens de ferritina e vitamina D, por exemplo, podem ser úteis em alguns casos e desnecessários em outros. Antes de tratamentos sistêmicos, há exames específicos de segurança.
Sim, em alguns pacientes. Podem surgir pequenas depressões na superfície das unhas, aspereza ou estrias. O acometimento das unhas é mais comum nas formas extensas e está entre os fatores associados a uma evolução mais difícil.
Sim, o cabelo pode voltar a crescer, porque o folículo fica preservado. Nas formas leves, com falhas pequenas e pouco numerosas, o crescimento espontâneo é frequente nos primeiros meses. Os primeiros fios costumam nascer finos e às vezes brancos, e ganham cor e espessura com o tempo.
A evolução, porém, varia. Formas extensas, o padrão ofiásico, início na infância, doença com mais de um ano de duração, acometimento das unhas e associação com atopia ou outras doenças autoimunes estão ligados a uma resposta menos favorável. Não é possível garantir o crescimento em um caso individual.
Sim, pode haver recaídas. Depois de um episódio controlado, a doença pode ficar anos sem se manifestar, voltar em outra região ou não voltar mais. O intervalo entre episódios é imprevisível. Nas formas graves tratadas com medicamentos sistêmicos, a interrupção do tratamento costuma levar à volta da queda, e a manutenção é discutida caso a caso.
O tratamento depende principalmente da extensão da doença, da idade do paciente, do tempo de evolução, das áreas acometidas e do impacto na vida de cada pessoa. Antes de começar, é importante entender a natureza da doença e ter expectativas realistas. Nenhum tratamento comprovadamente muda o curso da doença a longo prazo, mas vários controlam a atividade e permitem o crescimento do cabelo.
Nas falhas pequenas e pouco numerosas, o tratamento é local. Em adultos, a infiltração de corticoide diretamente nas falhas é a primeira opção indicada pelo consenso da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Corticoides tópicos de alta potência são usados principalmente em crianças e em quem não pode fazer infiltrações. O minoxidil pode ser associado como complemento, sobretudo quando o cabelo já começou a crescer.
Quando há muitas falhas ou progressão rápida, podem ser considerados corticoides por via sistêmica por períodos curtos, imunossupressores como o metotrexato ou a imunoterapia de contato, que provoca uma reação controlada na pele para desviar a inflamação do folículo. A escolha leva em conta os efeitos adversos de cada opção.
Nas formas graves, com perda de metade ou mais do couro cabeludo, os inibidores de JAK são o tratamento com maior nível de evidência. São medicamentos orais que bloqueiam sinais inflamatórios envolvidos no ataque ao folículo. No Brasil, a ANVISA aprovou o baricitinibe para adultos e o ritlecitinibe para pacientes a partir de 12 anos, ambos para alopecia areata grave.
Nem todo paciente é candidato. A indicação depende da gravidade, da idade, de outras doenças e de exames prévios, e exige acompanhamento clínico e laboratorial regular. A resposta é gradual, ao longo de meses.
A fototerapia com laser ou luz excimer pode ser alternativa em casos localizados que não responderam a outras opções. Próteses capilares, perucas, micropigmentação de sobrancelhas e outras formas de camuflagem são recursos válidos durante o tratamento. Procedimentos como MMP, PRP, microagulhamento, LED e suplementos têm evidência limitada ou insuficiente na alopecia areata e não substituem o tratamento da doença autoimune.
Algumas características ajudam a distinguir as causas mais comuns de queda:
Esses padrões podem se sobrepor, e mais de uma causa pode existir na mesma pessoa. O diagnóstico é definido na avaliação dermatológica. Para conhecer outras causas de queda de cabelo, veja a página sobre queda de cabelo e tricologia.
A alopecia areata é uma causa frequente de queda de cabelo na infância e na adolescência, e boa parte dos casos começa nas duas primeiras décadas de vida. Em crianças, o tratamento costuma priorizar opções tópicas, porque as infiltrações podem ser difíceis de tolerar. Tratamentos sistêmicos ficam para casos extensos ou em atividade, com atenção ao crescimento e ao desenvolvimento. A Dra. Thais atende pacientes de todas as idades, incluindo crianças e adolescentes.
A alopecia areata não é apenas uma questão estética. Mesmo formas localizadas podem afetar a autoestima, a imagem corporal, as relações e a rotina de trabalho ou escola. Sintomas de ansiedade e depressão são mais frequentes em pessoas com a doença. Conversar sobre esse impacto faz parte da consulta, e o acompanhamento psicológico pode ser indicado quando necessário.
Procure avaliação dermatológica se houver:
A avaliação ajuda a confirmar o diagnóstico, definir a gravidade e escolher o tratamento adequado desde o início.
A Dra. Thais Akemi Yoshimoto é médica dermatologista, CRM-SP 184.637, RQE 97177, e atende na Avenida Ibirapuera, 2064, sala 71, Moema, São Paulo.
Percebeu falhas no cabelo, na barba ou nas sobrancelhas? A avaliação dermatológica permite confirmar o diagnóstico e diferenciar a alopecia areata de outras causas de queda. Veja o que esperar da consulta.
Alopecia areata tem cura?
Não existe tratamento que elimine definitivamente a predisposição à doença, mas ela pode ser controlada. Há tratamentos capazes de interromper a atividade e permitir o crescimento do cabelo em muitos pacientes, e algumas pessoas ficam anos ou a vida toda sem novos episódios. A evolução é variável, recaídas podem ocorrer e o comportamento de cada caso não pode ser previsto com certeza.
Alopecia areata tem tratamento?
Sim. O tratamento depende da extensão da doença, da idade, do tempo de evolução e das áreas acometidas. Formas localizadas costumam ser tratadas com corticoide aplicado nas falhas ou na pele. Formas graves podem receber medicamentos orais, como os inibidores de JAK.
O cabelo volta a crescer na alopecia areata?
Sim, pode voltar, porque o folículo não é destruído. Nas formas leves, o crescimento muitas vezes acontece de forma espontânea. Nas formas extensas, a resposta é mais difícil e depende do tratamento. Não é possível garantir resultado em um caso individual.
Alopecia areata pode voltar?
Sim. Recaídas são possíveis, mesmo depois de o cabelo crescer por completo. O intervalo entre episódios é imprevisível, e algumas pessoas nunca têm um novo episódio.
Alopecia areata é contagiosa?
Não. A alopecia areata não é contagiosa. Não é causada por fungos, bactérias ou falta de higiene e não passa de uma pessoa para outra.
Alopecia areata é doença autoimune?
Sim. O sistema imune ataca o folículo piloso na fase de crescimento. Isso interrompe a produção do fio sem destruir o folículo, o que permite que o cabelo volte a crescer.
Estresse causa alopecia areata?
Não como causa única. A alopecia areata é autoimune e tem predisposição genética. O estresse pode estar associado ao início ou a recaídas em alguns pacientes, mas muitas pessoas têm a doença sem estresse identificável.
Alopecia areata pode afetar sobrancelha e barba?
Sim. A barba é a segunda área mais afetada, depois do couro cabeludo. Sobrancelhas e cílios também podem ser atingidos, e o comprometimento dessas áreas pesa na definição da gravidade e do tratamento.
Alopecia areata pode causar queda de todos os cabelos?
Pode, mas é incomum. Uma minoria de pacientes evolui para perda de todo o cabelo do couro cabeludo (alopecia areata total) ou de todos os pelos do corpo (alopecia areata universal). A maioria tem falhas localizadas.
Qual médico trata alopecia areata?
O dermatologista é o médico indicado para diagnosticar e tratar alopecia areata. Ele avalia a extensão da doença, faz a tricoscopia e define o tratamento conforme a gravidade.
Como é diagnosticada a alopecia areata?
Na maioria dos casos, pelo exame clínico e pela tricoscopia. A biópsia do couro cabeludo fica para apresentações atípicas ou quando há dúvida com outras doenças.
Preciso fazer exames de sangue?
Nem sempre. Os exames não são necessários para o diagnóstico e não existe um painel padrão. Eles são pedidos conforme a história e o exame, e antes de iniciar tratamentos sistêmicos.
Alopecia areata pode estar associada à tireoide?
Pode. Doenças da tireoide são mais frequentes em pessoas com alopecia areata do que na população geral, mas a maioria dos pacientes não tem doença tireoidiana. A avaliação da tireoide é feita quando há indicação clínica.
Vitaminas ajudam na alopecia areata?
Não como tratamento da doença. A alopecia areata não é causada por falta de vitaminas. Deficiências identificadas devem ser corrigidas por si mesmas, mas suplementos não substituem o tratamento dermatológico, e a biotina não é indicada de rotina.
Existe tratamento novo para alopecia areata?
Sim. Os inibidores de JAK são medicamentos orais aprovados nos últimos anos para formas graves da doença. No Brasil, a ANVISA aprovou o baricitinibe para adultos e o ritlecitinibe a partir de 12 anos. A indicação depende da gravidade e da avaliação médica, e nem todo paciente é candidato.
Conteúdo médico revisado por Dra. Thais Akemi Yoshimoto, médica dermatologista, CRM-SP 184.637, RQE 97177. Especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia. Última revisão: outubro de 2026. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica individual.
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